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Unsteady

"real life was something happening in her peripheral vision"

16
Mar18

Eu em primeiro lugar

Uma colega minha vai abandonar o curso para voltar para junto da família e colocar-se saudável, decisão que eu apoio fortemente, por muito que me custe vê-la abandonar-nos. Quando diziam "Mas ela devia pensar melhor, está no 2º semestre, quase a acabar", pensava para mim que só quem vive com ansiedade e pânico sabe que um "quase a acabar" é muito mais longo e tortuoso do que se pensa. Pode parecer a razão mais estúpida de sempre para abandonar um curso, mas a verdade é que a decisão, neste caso, que mais custa é mesmo a de nos colocarmos em primeiro lugar. Eu, em primeiro lugar. Eu, antes de uma licenciatura. Eu, antes de um emprego. Eu e a minha saúde mental, sempre. E são poucas as pessoas que realmente acreditam e colocam isso em prática. Quando a saúde física nos falha, ninguém questiona o porquê de faltarmos às aulas, mas quando é a saúde mental a falhar, já ninguém compreende o porquê de não aparecermos ao mundo. É cada vez mais comum encontrarmos pessoas que estão desgastadas psicologicamente e que necessitam de ajuda, contudo, o preconceito e o tabu não se destruíram por completo. 

É entre lágrimas que escrevo isto, com muito orgulho na decisão que a minha colega tomou, porque hoje em dia são raras as pessoas que têm a coragem suficiente para colocar um pause na vida delas e cuidarem de si primeiro. Saudades? Vou ter, muitas. Mas saber que ela eventualmente vai voltar, e vai voltar bem, dá-me esperança.

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